sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Relação Homem/Natureza: a questão do trabalho

Relação Homem/Natureza: a questão do trabalho na perspectiva antropológicae sociológica
• A relação entre o homem e a natureza nas várias sociedades da perspectiva do trabalho e da cultura
• A questão ambiental e as diversas sociedades
• A dinâmica rural e urbana
• As várias formas de trabalho: escravo, servil e assalariada
• As transformações recentes no mundo do trabalho

A palavra trabalho vem do latim tripalium:
Tripalium era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, para rasgá-los , esfiapá-los. A maioria dos dicionários , contudo, registra tripalium apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originalmente, ou se tornado depois. A tripalium se liga o verbo do latim vulgar tripaliare, que significa justamente “ torturar”.
Essa é uma faceta da realidade evocada no termo trabalho , aquela que revela a dureza, a fadiga, a dificuldade, irreversivelmente constitutivas da vida humana. Talvez por isso não seja incomum encontrar no repertório simbólico de diversas culturas tal percepção do trabalho como pena.
O único ser vivo capaz de agir além daquilo que seu equipamento biológico permite de imediato é o homem. Ele não é provido de asas e de estrutura óssea favorável ao vôo, mas voa inventando um avião. Ele não está equipado para retirar oxigênio diretamente da água, mas isso não o impede de descer ao fundo dos mares, seja em submarinos, seja por intermédio de equipamentos apropriados como tanques de oxigênio, escafandros, máscaras, etc. Tudo isso indica que o homem é um animal ímpar. Embora permanecendo animal, livra-se dos laços que o prendem à natureza.
O trabalho é um fazer exclusivo do ser humano. Determinado materialmente como corpo, como organismo, ele é dotado de vida. E a vida humana suplanta a sua dimensão biológica, corpórea , orgânica e deixa de ser somente fato para ser também um valor.
Os gregos , dados às minúcias da intuição e aos refinamentos da razão, deixaram reflexões argutas sobre a questão do trabalho e parecem menos ingênuos do que os contemporâneos. É freqüente encontrarmos , nos textos da Grécia clássica, formulações em que aparecem o desprezo pelo trabalho e o culto da única atividade digna do homem livre: o ócio dos filósofos. Embora tais idéias expressem verdades, vale a pena tomar conhecimento das reflexões de uma categorizada autora contemporânea, Hannah Arendt (1897:94-5), historiadora norte-americana de origem alemã:
“ Ao contrário do que ocorreu nos tempos modernos, a instituição da escravidão na Antigüidade não foi uma forma de obter mão-de-obra barata nem instrumento de exploração para fins de lucro, mas sim a tentativa de excluir o labor das condições da vida humana. Tudo o que os homens tinham em comum com as outras formas de vida animal era considerado inumano. ( Essa era também, por sinal, a razão da teoria grega, tão mal-interpretada, da natureza inumana do escravo. Aristóteles, que sustentou tão explicitamente a sua teoria para depois, no leito de morte, alforriar seus escravos, talvez não fosse tão incoerente como tendem a pensar os modernos. Não negava que os escravos pudessem ser humanos; negava somente o emprego da palavra homem para designar membros da espécie humana totalmente sujeitos à necessidade.) E a verdade é que o emprego da palavra animal no conceito de animal laborans, ao contrário do outro uso, muito discutível, da mesma palavra na expressão animal rationale, é inteiramente justificado. O animal laborans é, realmente, apenas uma das espécies animais que vivem na Terra - na melhor das hipóteses a mais desenvolvida.”
Percebe-se que, para os antigos gregos, não estava presente a adesão irrefletida à escravidão e uma rejeição do trabalho como algo indigno em si mesmo. A se crer nas advertências de Hannah Arendt, eles produziram tal interpretação da realidade humana do trabalho que o problema da tensão entre liberdade da razão e a necessidade do labor se exprimia na contradição entre o animal laborans e o animal rationale.
A justificativa da escravidão , feita por Aristóteles em sua Política, mais que exprimir a apologia da ascendência de uma homem sobre outro, de um homem que se apropria de outro para explorá-lo, para auferir lucro, aponta a percepção de uma contradição que perpassa todas as dimensões da vida humana e que, no caso do trabalho, apresenta-se sempre como um desafio entre liberdade e necessidade.

Os historiadores modernos, assumindo muitas vezes acriticamente os reparos e as acusações que os renascentistas faziam à Idade Média, generalizaram a concepção de que foi um período de trevas. Com tal afirmação queriam indicar que, entre os séculos V e XV, o pensamento na Europa ficou enclausurado pela necessidade que a Igreja tinha de submeter o conhecimento à fé, de modo que o uso do argumento de autoridade generalizou-se, impedindo que se pensasse em direção não-autorizada por essa mesma fé.
O trabalho, que durante a antigüidade grega se realizava sob forma geral da escravidão, assume, na Idade Média, a forma geral da servidão. A queda do Império Romano provocou mudanças na vida das cidades, com o conseqüente enfeudamento. Por toda a Europa desenvolveu-se uma sociedade onde contingentes populacionais punham-se sob a proteção de senhores da terra prestando-lhes homenagem ( promessa de fidelidade do vassalo ao senhor feudal). As condições gerais dos exercício da atividade produtiva eram, portanto, análogas, isto é, sob certos aspectos , semelhantes às da Antigüidade grega.
Do ponto de vista intelectual, o panorama medieval foi dominado pelas duas sínteses filosóficas das verdades cristãs elaboradas por Santo Agostinho , no século V, e por Santo Tomás de Aquino, no século XIII. Essas sínteses traduziam o credo cristão utilizando as referências filosóficas dos gregos, respectivamente Platão e Aristóteles. Elas influenciaram as reflexões sobre o homem , incluindo aquelas sobre o fazer humano, sobre o trabalho.
Durante a Antigüidade grega a preocupação de reafirmar a liberdade do homem no âmbito da necessidade levou a uma visão do trabalho que o considerava indigno e servil, à medida que atava o homem ao reino da necessidade.
Na Idade Média permanece a influência teórica de Platão e Aristóteles e, por isso o problema é pensado mais ou menos nos mesmos termos, mas já com uma diferença marcante.
Santo Tomás de Aquino considera o trabalho um bem. Um bem árduo, mas um bem. Tanto que o papa João Paulo II utiliza o texto do teólogo medieval como fonte de inspiração para fazer uma veemente e explícita afirmação da intrínseca dignidade do trabalho humano.
Com o fim da Idade Média , irrompeu o Renascimento. Esse complexo movimento de natureza filosófica, científica e artístico-cultural, ocorrido nos séculos XV e XVI, revolucionou a Europa medieval e lançou as bases de uma nova concepção do trabalho. Inaugurou uma era de inversão das concepções sobre o trabalho humano que chegou ao auge nas proposições de glorificação do trabalho próprias da modernidade.
Tal trajetória teve muitas fases diferenciadas, muitos meandros , muitos desdobramentos, e se manifestou em diversos âmbitos da vida humana. Isso desde o filosófico-cultural até o político-econômico e religioso, formando um mosaico rico, variado e complexo e deixando suas marcas também na dimensão técnico-científica. Isso se explica pelo fato de que a partir da revolução científica do Renascimento e com uma retomada de ímpeto na Revolução Industrial, as transformações sociais e econômicas foram cada vez mais céleres e amplas, espalhando - se por todo o mundo e atingindo direta ou indiretamente um contingente populacional maior.
Essas transformações encontram uma expressão vigorosa e diversificada no plano religiosos a partir do desenvolvimento de uma ética religiosa do trabalho na Reforma Protestante. Sua expressão mais forte está no calvinismo que entende o sucesso no trabalho e nos negócios como provável índice da predestinação para a salvação e, portanto, como sinal da benção divina. Para João Calvino ( 1509-1564), o homem se salva, independentemente de suas obras, e deve viver o cristianismo no mundo através de uma moral rígida da simplicidade do trabalho e da honestidade.
No que diz respeito ao campo econômico, o momento marcante dessa inversão, cuja trajetória analisa-se agora, encontra-se nos séculos XVII e XVIII com o desenvolvimento da economia política.
Os fisiocratas deslocaram o eixo da investigação econômica, pondo em evidência a produção dos bens, e atribuíram, a criação de novos valores à agricultura [ François Quesnay ( 1694 – 1774) e Anne Robert Jacques Turgot ( 1727-1781)]
Os principais representantes da escola clássica sedimentaram uma visão da economia segundo a qual o valor se identificava unicamente no trabalho em geral, fosse agrícola ou industrial [ William Petti ( 1623-1697), Adam Smith (1723-1790) e Davi Ricardo (1772-1823)]. Posteriormente, Karl Marx (1818-1830 foi além dos economistas clássicos quando elaborou a teoria da mais-valia e identificou no trabalho não só a fonte de todo valor, mas principalmente o seu caráter social através de uma minuciosa rede de conceitos e distinções.
No terreno filosófico, a mais alta contribuição para a reviravolta na concepção acerca do trabalho se exprimiu na filosofia de Georg W. Friedrich Hegel ( 1770-1831). Ele dá ao trabalho uma importância capital no processo pelo qual o homem toma consciência de si mesmo, pois essa consciência apenas se desenvolve quando o homem se encontra com os demais no processo de criação do próprio mundo. O trabalho aparece, então, como lugar da conquista da subjetividade, da consciência em si.
Porém, antes que o homem chegasse ao mundo contemporâneo ostentando uma nova concepção do trabalho, orgulhoso de sua obra de domínio das forças naturais, embevecido com as maravilhas que ele vinha alcançando e com o futuro de progresso e conforto que se avizinhava, soaram alguns alarmes.

Exploração ou libertação
O ruído mais forte foi produzido por Karl Marx, que, ao analisar o modo de produção capitalista, encontra um de seus fundamentos na alienação do trabalho umbilicalmente ligada à existência da propriedade privada. Ele denuncia o fetichismo da mercadoria, o alheamento do homem diante do que produz, o fato de que as relações entre os homens se dão como relações materiais entre coisas, enquanto as relações entre coisas se dão como relações sociais entre pessoas.
Mas, desde o século XV e até o século XIX, século em que Marx viveu e escreveu, várias obras e reflexões, tanto quanto tentativas de ação, problematizaram a questão do trabalho e da vida humana, de modo a revelarem as contradições que dilaceravam os homens, enquanto estes produziam suas próprias condições de vida na sociedade que se modernizava.
Tommaso Campanella ( 1568-1639), Thomas Morus (1478-1535), os socialistas utópicos, François Marie Charles Fourier (1772-1837), Pierre Joseph Proudhon ( 1809-1865), Claude Henry de Rouvroy Saint-Simon ( 1760-1825), Robert Owen (1771-1859), o igualitarista François Noel Babeuf ( 1760-1797) foram homens cujas ações e escritos agitaram o tempo em que viveram, tratando da questão do trabalho, do poder, da vida social e econômica. Suas atividades intelectuais e ações tragicamente críticas exprimiram a crença no trabalho como “lugar” de libertação e não de alienação e exploração.
Como se vê, a concepção de trabalho desde os gregos até a Idade Moderna é bastante diversificada. Aqui aparecem apenas algumas breves indicações dessa trajetória.
A partir da modernidade, passando também pela valorização das artes mecânicas consagradas pelos enciclopedistas, pela crença na razão como instrumento de domínio da natureza e como construtora da liberdade, do progresso e da felicidade, chega-se ao mundo contemporâneo.
Mas, nem bem o homem havia vislumbrado um futuro promissor durante o final do século XIX, pois tinha, então, diante de si, o horizonte do progresso e do conforto que o trabalho criara, o início do século XX encarregou-se de dar-lhe um grande susto. A ciência, cuja aplicação prometia um mundo em que o homem caminharia a passos firmes para reduzir o âmbito da necessidade e aumentar o espaço de liberdade , transformou-se em arma mortal. Veio a Primeira Guerra Mundial, a crise de 1929, outra guerra mundial e, refeita do susto, mas ainda temerosa, a humanidade no pós-guerra recuperou a esperança de viver num mundo de estabilidade e progresso.
Hoje, (...), a humanidade encontra-se no meio de outra grande crise. Um se seus aspectos mais preocupantes é a ameaça de “desemprego estrutural”. Enquanto o homem avança para uma situação sempre tão almejada, de Ter à disposição meios de reduzir a fadiga e o esforço no trabalho, vive a contradição de reduzir postos de trabalho numa velocidade maior do que talvez as sociedades possam suportar sem criar sérios desequilíbrios. Assim, a questão de se saber que direção dar a esse processo e de encontrar uma adequada forma de ordenamento da vida , do trabalho e da apropriação de seus frutos , obriga o homem a pensar na problemática das relações humanas, que se tornam cada vez mais conflituosas.

Em síntese
À medida que se relaciona com os outros homens e com a natureza, o homem constrói o seu mundo histórico e produz a sua existência. É neste aspecto que ele se diferencia dos outros animais, ao adaptar a natureza às suas necessidades, ou seja, diferencia-se pelo trabalho. Portanto, para o homem continuar existindo, ele precisa produzir continuamente através do trabalho; assim, a sua vida passa a ser dominada pelo modo como produz sua existência.
Com a consolidação do capitalismo no século XVIII, mais uma vez tornou-se necessário dominar a natureza a favor do homem. E é na indústria que deverá ser investido. Será preciso então incorporar a ciência no processo produtivo.
Ainda durante o século XVIII, o movimento histórico impôs um rompimento com a organização da sociedade baseada nos privilégios de nascimento, em que a nobreza e o clero viviam , à custa de cargos do aparelho do Estado. Para estas classes, especialmente para a nobreza, o trabalho era indigno. O envolvimento em atividades mercantis e industriais significaria a perda dos seus privilégios.
Neste sentido, à medida que a sociedade capitalista se desenvolve, rompe-se com a estratificação social e com a idéia de servidão, até então dominante. O homem passa a ser livre para dispor , como quiser, da sua propriedade, que significava, segundo o liberalismo nascente, a sua vida, a sua liberdade e os seus bens. Assim, o trabalhador do campo, ainda preso à terra, pode considerar-se proprietário da sua força de trabalho e vendê-la aos donos dos meios de produção ( proprietários); pois a sociedade que estava se consolidando era uma sociedade de proprietários livres.
A sociedade se organizava a partir da indústria e incorporava a ciência ao processo produtivo. A burguesia , então, procurava constituir-se como classe hegemônica. Defendia uma sociedade igualitária, com escolarização obrigatória, gratuita e universal, uma vez que a escola correspondia às necessidades do progresso e à formação do cidadão. Até então, a educação era privilégio de poucos.
Alguns teóricos perceberam o avanço para a modernidade. Adam Smith ( 1723-1790) , economista que viveu no século XVIII, foi um deles. Ele procurou romper com o mercantilismo ( política econômica que norteava o comércio), ainda predominante nesse século. Mostrou que a riqueza não se originava do comércio , mas do trabalho. Contrariou desta forma, os privilégios do clero e da nobreza, que desprezavam o trabalho. Afirmou também que, para o trabalhador possuir um pensamento mais ágil e dar conta do processo produtivo que a modernidade exigia, era necessária a educação básica para todos, “instrução para os trabalhadores, porém, em doses homeopáticas”. Ou seja, 0 trabalhador precisava somente de um mínimo de instrução para que pudesse produzir de forma eficiente, mas sem ultrapassar este mínimo.
Como estabelecer o limite deste mínimo que o trabalhador deve dominar? Frederick Winslow Taylor ( 1856 – 1915) vai se ocupar desta questão. Sua preocupação centrou-se em detectar um método científico para aumentar a produtividade do trabalho, evitando a perda de tempo da produção.
Nas suas investigações, Taylor percebeu que, na fábrica, mesmo havendo a separação entre o saber e o fazer, o trabalho era ensinado oralmente, pelos próprios operários. Considerou, então, fundamental tornar científica esta prática. Acreditava que cada movimento do operário possuía uma ciência que deveria ser estudada por cientistas do trabalho, separando as fases de planejamento e de direção da produção da execução. Ou seja, o saber do trabalhador deveria ser apropriado pelo capital, garantindo a eficiência no processo de produção e impondo ao operário o tempo e o ritmo do seu trabalho.
Taylor propôs que se tornassem científicos os movimentos do trabalhador, controlados pela gerência. Henry Ford ( 1886-1947) avança as inovações tayloristas, introduzindo as linhas de montagem nas quais a esteira e os sistemas automáticos impõem o ritmo da produção.
O trabalhador não precisava se locomover , pois as peças iam até ele. O operário se confundia com a própria máquina. Esse método exigia apenas uma atividade motora e dispensava qualquer iniciativa própria.
O homem foi reduzido a gestos mecânicos. Charles Chaplin faz , no seu filme Tempos Modernos , uma crítica aos métodos pensados por Taylor e Ford.

O trabalho na época contemporânea
Hoje, com a construção de um mundo sem fronteiras e com a globalização da economia, impõe-se , revolucionariamente, a microeletônica e a robótica trazendo inovações a uma velocidade meteórica. Porém, ainda vivemos uma transitoriedade para as novas tecnologias, pois o mundo da produção ainda convive com os paradigmas tradicionais do taylorismo /fordismo. Por outro lado, vivencia também a automação, a flexibilização e a integração.
De qualquer maneira, o que se verifica é que dos anos 70 ( séc. XX) em diante, uma inovação tecnológica possuía uma duração de dois anos, hoje, não dura seis meses e, dependendo da área do saber, dura alguns dias, ou, às vezes, horas.
A ciência, que era dissociada do trabalho, torna-se força produtiva com as novas tecnologias. Várias empresas, nos dias atuais, exigem que seus funcionários leiam os jornais diariamente, justificando que quem não se informa não consegue acompanhar ou resolver os problemas colocados pelo cotidiano.
A bagagem de conhecimento que um profissional recém –formado adquiriu na universidade estará defasada se ele não estudar constantemente. Em outras palavras, o mundo do trabalho só absorverá quem for capaz de aprender constantemente.

Perfil exigido do profissional hoje:
• Saber trabalhar em equipe;
• Ser estudioso;
• Ter uma visão global das coisas;
• Saber liderar mudanças;
• Ser flexível;
• Busca aprendizado contínuo

De uma época em que se cultuou o trabalho como meio pelo qual o homem afirmava sua soberania perante a natureza, dominando-a e construindo um novo mundo – a época moderna -, chegou-se a um tempo em que o culto não é mais o do trabalho, mas o do lazer, do tempo livre – a época contemporânea.
Tudo agora é interpretado em termos de eficiência, de eficácia, de produtividade. O ideal de qualidade total, que se tornou uma das divisas da contemporaneidade, significa exatamente isto: nenhuma atitude, nenhuma ação, nenhum gesto que possa ser substituído por um outro em que a relação entre esforço despendido versus resultado alcançado é mais favorável, deve permanecer.
Doravante todas as escolhas , seja a de uma opção de investimento, seja a da escola de um filho, seja a de um médico, seja a de uma namorada, ou de uma religião, ou mesmo de um representante no Congresso Nacional, devem seguir o mesmo critério que orienta a escolha de um detergente ou sabão em pó nas gôndolas de um supermercado, isto é, a relação custo/benefício.
Isso aconteceu e acontece, entre outros motivos, pelo transbordamento da racionalidade técnica do mundo da industrialização para todas as outras instâncias da vida. No mundo moderno, o homem potencializou o rendimento do trabalho pelo aprendizado , pelo conhecimento das forças naturais e pela multiplicação da capacidade de uso dos recursos que a natureza lhe oferece. mas os problemas daí advindos são as campainhas de um alarme que não cessa de soar, indicando que o sucesso obtido pela humanidade no plano de sua ação material de transformação da natureza não pode se dissociar da reflexão sobre o homem e sobre as circunstâncias e a finalidade de sua ação.
A experiência tem chamado a atenção para o fato de que , talvez, tentar alcançar o objetivo da maximização do rendimento do trabalho em detrimento da reflexão sobre o conteúdo humano desse processo pode levar a humanidade a um malogro que, contraditoriamente, efetuar-se-ia exatamente no momento em que ela chegasse ao ponto mais alto de domínio da natureza vivenciado em sua história.

BIBLIOGRAFIA
• BOTTOMORE T. B. . Introdução à sociologia. 5ª ed. Rio de Janeiro. Zahar; Brasília, INL, 1973 ( Biblioteca de Ciências Sociais)
• GALLIANO. Introdução à sociologia. São Paulo: Harbra, 1986.
• POSITIVO, apostila seg. série - ens. médio
• SOUZA, S.M.R. Um outro olhar. São Paulo: FTD, 1995.
• TURNER. Jonathan H. Sociologia: conceitos e aplicações. São Paulo: Makron Books, 1999.

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